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Mariana Dias Coutinho

Mariana Dias Coutinho (1978) é licenciada em Conservação e Restauro de Mobiliário pela Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa (2004) e frequentou e concluiu o curso de Pintura e Desenho no Ar.Co (2010-2011). 

 

Expõe regularmente em Portugal e no estrangeiro desde 2008 e tornou-se um dos rostos da cidade, com intervenções urbanas como “Desassossego” (Rua do Alecrim, Lisboa), “Passeio Literário da Graça” (Arco e Travessa do Monte, Lisboa) ou no Lx Factory, entre muitas outras. 

Tenho a ideia romântica de que a arte é sempre uma expressão de nós mesmos. De certa forma, o trabalho é todo biográfico. Hoje em dia, é quase um tabu admiti-lo, mas, na minha opinião, a arte é emocional ou devia sê-lo. 

 

A natureza do meu processo criativo, baseia-se na inspiração dos momentos da vida subjetiva, no sonho, na paixão, na intuição, na saudade, no sentimento da natureza e na força dos mitos e lendas populares, mas com uma consciencialização e apropriação, descontextualização e subversão das realidades do quotidiano, tentando materializar conceitos desafiadores dos dogmas e rotinas da nossa existência. 

 

Partindo de exercícios de reminiscência (de maneira consciente ou inconsciente), surgem composições algo boshianas de realidades cénicas de intensa dramatização, expansão de sentimentos, perturbadoras e pesadas na sugestão que abordam a beleza, o humor e a escuridão/culpa no mesmo fôlego. Estas composições misturam elementos e símbolos carregados de interpretações, e onde a multiplicidade e fragmentação das narrativas (que se acumulam e se sobrepõem, e por vezes se contradizem), originam ambiguidade e tensão, procedendo ao questionamento dos vários aspetos que servem os enunciados da identidade pessoal e coletiva, compreensão das questões de género e de que modo estruturam as práticas sociais contemporâneas, em especial aquelas que dizem respeito ao universo feminino (estatuto, identidade ou diferenciação classicista). 

 

Interessa-me o campo da interpretação poética, longe do imediato reconhecimento e com ambiguidades interpretativas, podendo resultar numa reacção de delicado/subtil ou declarado/descarado humor, acentuando a via da crítica e do comentário do drama humano individual. A reflexão da realidade múltipla de valores e linguagens do que está representado, pode funcionar enquanto expressão crítica das definições de género e as problemáticas sexuais, contribuindo para relativizar e exacerbar todas as preocupações e preconceitos, pela introdução desses apontamentos de humor negro, que provocando tensão e incómodo, impõe a revisão de todas as normas morais relacionadas com a sexualidade humana e com a própria concepção da sociedade.

 

Mariana Dias Coutinho