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Lara Roseiro

Lara Roseiro nasceu em Coimbra, em 1980. Actualmente, vive e trabalha em Azeitão. Licenciada pela Escola Universitária das Artes de Coimbra em (2003) e Mestre em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (2013), expõe individual e colectivamente desde 2001.

 

Está representada em colecções públicas e privadas na Alemanha, Canadá, França, Holanda, Polónia, Portugal, Suécia, Espanha, EUA, Itália e Noruega. Realizou diversos projetos de arte pública, tais como o do Museu Arqueológico do Carmo, em Lisboa (2013). 

 

Foi distinguida com uma menção honrosa na Aveiro Jovem Criador 2011 e na 5.ª Bienal Internacional de Arte Jovem de Vila Verde” (2007). Obteve o 1º Lugar, "Prémio de Pintura Elena Muriel", Oliveira de Azeméis (2016), 2.º lugar na 5.ª Bienal de Pintura de Arte Jovem de Penafiel (2008) e o 3.º no Prémio de Pintura Aveiro Jovem Criador 2004.

A premissa “casa”, um habitáculo da intimidade, surge como elemento principal e primitivo do processo criativo. Este espaço privado, interior, íntimo e doméstico abre caminho para outro princípio fundamental, a “espera” que evidencia a feminilidade, pertencendo aos valores da intimidade e do próprio espaço físico de cada um, uma interioridade e familiaridade que reporta para o território pessoal. A “casa” que alberga a memória, a lembrança, o sonho, a intimidade e a solidão, como cerne do trabalho, lembra o filósofo Gaston Bachelard na análise que faz a esta morada pessoal e a sua ligação com racionalidade e irracionalidade. Deste modo, a “casa” é, enquanto espaço interior, o lugar onde nascem os sonhos nos momentos de solidão e, também, onde se constroem as vivências mais íntimas e pessoais. É entre as paredes que se materializam narrativas, através da recolha de experiências confinadas ao lar, em que o processo artístico remete, igualmente, para a pintura de género, exibindo cenas de interior, situações de rotina ou frames do quotidiano, bem como a figura feminina enquanto objecto de contemplação, mas sem qualquer revolta declarada. 

 

A multiplicidade de técnicas utilizadas, particularmente a instalação, materializa memórias de infância articuladas através de objectos apropriados, alguns ligados ao lavor feminino de uma hierarquia familiar e outros de carácter kitsch, decorativo ou doméstico, assentes em paradigmas de construções sociais de género. Esta componente plástica, ligada ao universo feminino, leva a desvendar histórias e sentimentos de mulheres levantando questões do seu mundo privado. Penélope é, aqui, uma referência como mulher fiel e virtuosa, características importantes para uma ideologia de feminilidade. 

 

A sua espera tenaz pelo marido Ulisses destaca o lavor como promotor de virtudes femininas enfatizando a paciência, a perseverança e a delicadeza, bem como o amor ao próximo. A carga narrativa pessoal e biográfica aborda, também, estereótipos de amor e romance encontrados na literatura infantil, mitos ou brinquedos e que conduzem a educação da criança, por meio de fusões, reminiscências ou contaminações de vários processos artísticos que remetem para práticas e sensibilidades femininas, evocando a esfera doméstica. 

 

Assim, todo o processo gira em torno de cenários interiores, um conjunto que evoca as interioridade do lar, como espaço doméstico e estado afetivo, bem como um lugar seguro e prisioneiro da intimidade feminina.

 

Lara Roseiro