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João Paulo Serafim

Nasceu em Paris em 1974. Vive e trabalha em Lisboa. Completa a sua formação em fotografia e artes plásticas no Ar.Co, onde lecciona Fotografia desde 1998. Em 2005 frequenta o Curso de Fotografia do Programa Gulbenkian Criatividade e Criação Artística e, em 2008, o curso de História de Arte da Universidade Nova de Lisboa. Em 2005 ganha o Prémio Purificación Garcia.

 

Expõe regularmente desde 1997, em Portugal e no estrangeiro, em exposições individuais e colectivas, tal como no Centro de Arte Hélio Oiticica (Rio de Janeiro, 2010), entre outras. Destaca-se a exposição individual realizada no Centre Culturel Gulbenkian em Paris, 2008, apresentada depois no Museu Blanes de Montevideo (Uruguai).

 

O seu trabalho está representado em várias colecções, de entre as quais a Colecção António Cachola, a Colecção Fundação PLMJ, a Colecção do Banco Privado, a Colecção do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian ou a Colecção do BES-ART; em Espanha integra a Colecção Purificación Garcia.

Robert Klein ensina, num texto centrado na teoria de Pomponio Gaurico, que a apropriação, pelos artistas do Renascimento, da perspectiva, estudada na óptica medieval, terá facilitado a aceitação, por parte dos intelectuais mais conservadores, da elevação do estatuto do trabalho desses artistas de manual para intelectual, tornando-os próximos dos matemáticos da geometria e da aritmética mas também dos da música e da astronomia, todos hierarquicamente superiores aos literatos da gramática, da lógica e da oratória. Do artesanato medieval faziam arte moderna. 

 

No tempo da fotografia, a própria visão, se aceitarmos seguir Jonathan Crary, vai-se transformando, de instrumento do saber em objecto de estudo, deixando o visível de situar-se na câmara obscura incorpórea e atemporal para situar-se no corpo humano, onde interior e exterior se misturam em relações complexas e novas. Era na visualidade que Leonardo colocava o centro da superioridade da pintura relativamente à poesia e à música, já que o sentido da visão era o que mais facilmente acedia à alma e só pelos sentidos operaria a arte. É também pelos sentidos que a ciência europeia moderna legitimará a verdade da sua relação com o real - tornando-se, no tempo da fotografia, o modelo de todo o saber verdadeiro. 

 

A fotografia, ela mesma, é, a um tempo, fruto e instrumento da ciência. E se pela ciência procurará legitimar a superioridade das suas imagens em autenticidade, tornando-se sinónimo e modelo de verdade das imagens, não é pela ciência que procurará legitimar o artístico das imagens que produz. Demasiada verdade científica pode, até, arruinar o artístico de uma imagem, pelo prosaico e vulgar – o poeta Afonso Lopes Vieira, fotógrafo amador, sinalizava-o como um perigo com a expressão “a fadiga do documento” (Afonso Lopes Vieira, “Photographia Moderna” em Illustração Portuguesa, 99).

Com a fotografia, tudo se torna imagem - pelo menos, potencial. Pela fotografia, tudo se enche de imagens: desde os primeiros momentos, a receberá a imprensa nas suas páginas. As revistas tornam-se ilustradas. As imagens parecem aproximar os leitores daquilo que o texto refere - como se estivessem lá, como se pudessem experimentar com os sentidos do seu corpo. Mas, apenas vêem uma imagem fotográfica...

 

João Paulo Serafim