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Joana Gomes

Joana Gomes (Lisboa, 1986). Artista plástica e formadora de desenho na Odd School — Creative Media. Co-fundadora e membro activo do Colectivo Tempos de Vista desde 2008. Formada em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (2008), conclui o mestrado na mesma instituição com a dissertação “Universos Íntimos e Histórias Contadas: um percurso pela duplicidade por Krysztof Kie Iowski” (2011), orientada por Isabel Sabino.

 

Bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian ao abrigo do Programa de Apoio à Valorização e Divulgação Artísticas (2011) e do Apoio da Reitoria da Universidade de Lisboa e do CIEBA em parceria com a FCT no âmbito do projecto Tempos de Vista.

Participou em diversos ciclos de conferências sobre Arte e Teoria e leccionou um Workshop de Litografia Artística na FBAUL. Em 2011 fez parte da equipa de Produção do Carpe Diem - Arte e Pesquisa e em 2004 ilustrou um livro para a Amnistia Internacional.

Ao longo do meu percurso artístico, tenho desenvolvido um corpo de trabalho que pretende contar histórias. Histórias embebidas em referências literárias, cinematográficas, filosóficas e pessoais. Realizam-se por meio de uma narrativa desconstruida, apresentada como uma espécie de arqueologia da memória onde se fundem memórias reais, símbolos do museu imaginário e experiência colectiva, memórias ficcionadas e o sonho. Numa constante procura da compreensão de relações humanas, sobretudo sediadas no amour fou e no amor de família e as suas disfuncionalidades até à própria relação do homem com o universo. 

 

Assim, tenho recorrido a conceitos da psicanálise e filosofia como a inquietante estranheza, o duplo, a multiplicidade, o outro, a coisa e as realidades alternativas. Existe ainda uma tentativa de contextualizar estas histórias no mundo contemporâneo, seja por integração na realidade social, económica e cultural, seja pela abordagem à própria questão da imagem. 

 

O meu trabalho plástico é, essencialmente, feito pelo meio da pintura, muitas vezes, desafiado no cruzamento com outros médiuns , nomeadamente a projecção do vídeo. Este dispositivo envolve no espaço o espectador que questiona o objecto e se integra nele pela sua dimensão tridimensional e o uso de “luz”, textura, movimento e som como um todo. Por vezes, devido a premissas de programas expositivos, o meu trabalho tem encontrado o desafio do site specific, tendo de se inscrever numa temática investigativa do lugar em si e emergir dele, contaminando-se reciprocamente. Esse carácter resulta numa metamorfose em que a história que conto habita o espaço que a alberga. Convoca-se também nestas situações a dissolução da fronteira entre público e privado.

 

Joana Gomes