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Flávio Delgado

Lisboa, 1990. Foi bolseiro do programa Erasmus em Hogeschool voor Wetenschap en Kuns Sint-Lucas em 2012, ano em que se formou em Artes Plásticas pela Escola Superior de Arte e Design nas Caldas da Rainha. Em 2015, concluiu o mestrado em Artes Plásticas pela mesma instituição. 

Em relação à linha... 

 

Em primeiro lugar, nada nasce a partir do que não existe. De outro modo, tudo nasceria de tudo, sem ter necessidade de sementes. E, se o que se dissolve desaparecesse no não-ser, todas as coisas terminariam, não existindo isso no qual se dissolveram.“ (Epicuro, “Cartas, Máximas e Sentenças”, 66) 

 

Em 2016 conheci a Maria, foi a partir de um workshop de desenho que ouvi pela primeira vez as suas preocupações em relação à linha e à importância que tinha o pensamento antes de pousar o pincel no suporte. Onde começa e acaba a linha, está definido antes de começar. Há, à partida, uma atenção diferente no olhar. Um olhar atento à forma. O desenho acontece sempre com o modelo, seja ele a figura humana, animais, a paisagem, entre outros elementos que a Maria regista nas sua folhas de papel. Sem o referente ou modelo, o desenho não respeita a verdadeira aura do que está a ser representado. 

 

Foi a partir deste olhar atento à forma que comecei a desenvolver o meu trabalho. Comecei por desenhar as serras, as suas formas, delimitadas por duas massas, a terra e o céu. A fronteira entre estas massas era representada nos cadernos. Muitas vezes o olhar não saía do referente, só caía sobre o suporte quando o desenho estava acabado. 

 

Nada nasce a partir do que não existe, o trabalho artístico nasce a partir do momento em que existe o olhar atento.

 

Flávio Delgado