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Ana Pais Oliveira

Ana Pais Oliveira (1982, Vila Nova de Gaia) é licenciada em Artes Plásticas - Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto (2005) e doutorada pela mesma faculdade em Arte e Design - Pintura (2015).

 

É membro colaborador do núcleo de investigação em Arte e Design do Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade e membro do Projecto de Investigação Bases Conceptuais da Investigação em Pintura 2014-2019 (i2ADS). Foi bolseira da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) entre 2011 e 2015 e é também membro do AIC Study Group on Environmental Colour Design e da APcor (Associação Portuguesa da Cor).

 

Fez parte da seleção portuguesa para a Bienal Jovem Criação Europeia 2013/2015, itinerante por nove países europeus e foi selecionada para a XV Convocatória da Galeria Luis Adelantado em Valência (2013). Venceu o Kunstpreis Young Art Award <33 [colour] da Galeria Art Forum Ute Barth, Zurique, Suíça, onde expôs individualmente no Verão de 2014. Obteve o Prémio Aquisição dos Amigos da Biblioteca-Museu de Amarante na 9ª. Edição do Prémio Amadeo de Souza-Cardoso (2013), o 1º. Prémio Aveiro Jovem Criador (2009), o 1º. Prémio Engenho e Arte (2009), o 3º. Prémio no 1º. Prémio Jovem de Artes Plásticas da Figueira da Foz (2009), o 1º. Prémio Engenho e Arte (2009), o 1º. Prémio Arte XXI 10 (2009) e o 1º. Prémio Eixo Atlântico na VIII Bienal Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular (2008). 

Participa regularmente em conferências e seminários, tendo recentemente apresentado o seu trabalho em conferências em Génova, Newcastle, Valência, Porto e Lisboa. 

A sua obra está representada nas coleções da Fundação Focus-Abengoa (Sevilha), Banco BPI, Eixo Atlântico, Grupo Lena Construções, Grupo Nautilus, Casa da Cultura/Casa Barbot, Museu Municipal de Amarante, Museu Municipal de Espinho e coleções privadas.

Relaciono o meu trabalho recente com a designação Pintura fora de si, o título das minhas duas últimas exposições individuais. Trata-se de uma designação que se refere ao disseminado e amplamente discutido conceito de pintura expandida mas, aqui, e mediante uma aceção talvez mais poética ou subtil, refere-se à pintura que deixou de estar bem na sua pele e de se identificar com os convencionais modos de a definir ou traduzir, iniciando uma viagem em direcção a campos vizinhos que a enriquecem, complementam ou transformam significativamente.

Deste modo, esta pintura chama para si coisas que gosta de ver na escultura, na instalação ou na arquitetura, como se por momentos as invejasse, embora logo de seguida se lembre que estar fora de si é um estado de enorme ansiedade e desconstrução identitária, que mais vale regressar a si mesma e comportar-se com honestidade. Aí, a pintura fica consciente de si, voltada para os seus próprios meios, processos e questões. Pode parecer não estar bem onde está, pode viajar e procurar pontos de fuga inesperados, mas regressa sempre a si mesma, apropriando-se das gramáticas vizinhas. Esta pintura fora de si materializa-se em objetos híbridos com uma relação aproximada e aprofundada com a linguagem da arquitetura ou com o espaço real, cuja dimensão pictórica é, na maioria das vezes, evidenciada através da cor como elemento tranformador do espaço. Na verdade, utilizo a cor como um elemento de composição fundamental na interação das linguagens pictórica e arquitectónica, bem como na nossa percepção da profundidade, do volume, da ilusão e do comportamento de objetos-pintura que mantêm uma conversa subtil com a arquitetura.

 

Em alguns casos, a deriva tridimensional da pintura começa na escolha dos suportes, como acontece com as telas de diferentes larguras e espessuras que se articulam como um espaço unificado, embora mutável de acordo com o ângulo de percepção. Aqui, a pintura quer sair da parede, tornar-se volume, embora não concretize o abandono da parede. Talvez haja uma falta de coragem, talvez um ser fiel ao seu ser pintura, embora se acrescente um convite a uma experiência mais física e interativa, como se as casas nos convidassem a entrar e espreitar o que guardam e protegem. E, para percebermos todos os detalhes da pintura, somos forçados a percorrer o espaço com o corpo, através de uma acção mais performativa. Noutros casos, a pintura chega a sair de si mesma e torna-se objeto tridimensional, sugerindo a projeção de uma arquitetura disfuncional e impossível de construir.

Estes modelos, ou maquetes, também utilizam a luz como elemento modelador do espaço e transformador da nossa perceção dos objetos, sendo que diferentes incidências de luz produzem distintos desenhos na parede.

 

Finalmente, em soluções recentes, a pintura efetiva o sair de si mesma e o sair da parede, ocupando o espaço e invadindo a arquitetura. É nestes casos que se oferece ao espetador a possibilidade de criar as acções de aproximação, afastamento, dobrar-se sobre o objeto, espreitar, entrar ou contornar a pintura. Há, ainda, os desenhos, que como forma de pensar o espaço, a paisagem e a arquitetura, e de transmitir essa reflexão para o ato de riscar, são também pintura. Sobreponho camadas de papéis de cores diversas como quem pinta, compondo através da interação cromática e utilizando esses monocromos para tornar o próprio desenho quase tridimensional, sobrepondo camadas de sentido.

Em todos os casos, a pintura conversa com a arquitetura através de um mútuo questionamento e hibridização e, geralmente, a dimensão pictórica prevalece como resultado do privilégio dadoà cor, enquanto elemento visual e expressivo com um significativo potencial transformador inerente às relações espaciais.

 

Ana Pais Oliveira