Rui Tavares

Nasceu na Figueira da Foz em 1974. É licenciatura em Artes Plásticas (Pintura) pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e é docente no Centro de Formação Artística Nextart, Lisboa, desde 2010.

Por entre diversas exposições colectivas, prémios e destaques, damos exemplo de algumas das suas exposições individuais: Trayectorias, Centro Cultural Pablo Ruiz Picasso. Torremolinos, Málaga (Espanha, 2013); Inside Sketches, Galeria São Francisco (Lisboa, 2011); Declining Symmetries, Galeria Ao Quadrado (Santa Maria da Feira, 2008) ou Desígnios De Um Estratega, Museu de Ovar (Ovar, 2015).

Uma janela intemporal contraída de reflexos alheios. Desvios de uma luz-outra para interiores pervertidos. Mobílias despedaçadas ou o desenho perdido de unicamente as possuir na memória. Para que quero isto? Descompõem-se os gestos e tudo permanece. Um homem julga habitar um chão irremediavelmente limpo. Estende-se gelado e encolhe-se num chão de cozinha ou de quarto de banho. Um frio mancha-lhe aquela presença de ter corpo e contorce-lhe um azul-água. Choque. Mas a janela teima em assemelhar-se a um gume. Guilhotina. A fronteira. A censura de um olhar atirado no vazio. Então os gestos, como vidros acabados de partir, despedaçados num movimento eterno e suspenso… Interrompidos. 

 

O desenho obstinado das coisas, dos objectos. A linguagem possível da flor, dos seus movimentos imperceptíveis. Sim, uma flor desdobra-se em pequenos movimentos vibratórios de pétala a pétala. Em pequenas nuances: Pé-ta-la. O interesse de um papel amarfanhado ou o amarfanhar do papel. Para que quero isto? 

 

E a luz recortada por uma criança desajeitada é devolvida à vida. Tenho tudo isso guardado aos bocados como relíquias impossíveis de montar. Paredes. Podiam ser paredes. Com inscrições, o gozo da vida, uma história em gatafunho. Em oposição à vida externa, ao ar. Disse para mim que podiam ser janelas. E eram, com efeito. Janelas por dominar, sem caixilhos, janelas-portas, janelas-armadilhas. 

 

A sua beleza monta-se sem rendilhados de cortinas, sem as transparências eróticas de volumes, superfícies veladas. O volume faz progredir a nuance até ao contraste desregrado. O segredo cintila sem haver brilho. Ou, um movimento passa por aí ao derramar-se a sombra dos olhos. Um movimento impossível de deter no processo simples da visão, ou do que nesta possa parecer simples: ver.

 

Rui Tavares

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